segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

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Coisas muito boas que 2008 oferece a 2009.

[é favor clicar em Demon Days, fechar os olhos e esperar que passe...]


In these demon days
We’re pulling our pay
The lights on the hill
Are freezing us still
The fingers of fate
Stretch out and take
Us to a night
But something’s not right
Something’s gone wrong

The half whispered hopes
The dreams that we smoked
Puffed up and ran
As only dreams can
Dreamt by the young
Sparks to be sung
In places so bright
But something’s not right
Something’s gone wrong.

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Um dos mistérios de 2008 foi o sumiço do MIL (sinceramente, já não me lembro do significado da sigla), um grupo de jornalistas esfomeados (só se reuniam em almoços e jantares), a que se juntou a nata e a directoria da classe, muito preocupados com uns gravíssimos e sacaníssimos atentados à liberdade de imprensa que aí vinham, e que por causa disso prometiam fazer não sei o quê e mais o Diabo e que acabaram silenciados e pastoreados pelos dos costume, os que, volta não volta, voltam com uma Ordem, da qual sonham ser, aí sim, pastores-mor, de maneira a lidarem ombro a ombro com o poder e assim, quem sabe, talvez, sacar umas prebendas honoríficas. Uma pena, pois então...

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Ora aí está, finalmente, um gajo que nunca passou pelo Colombo (*), num fim-de-semana à hora de almoço.

(*) rectificação: Norte Shopping

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Fui tratar do Cartão do Cidadão. Tenho duas reclamações:
1. As estrias dos bancos da sala de espera, apesar de a dita ter sido curta, deixaram-me a assentadeira cheia de estrias e até um pouco dorida;
2. Fui informado pela funcionária que o Cartão não dá acesso directo a avales e garantias da Caixa. Tá mal...

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[já não visitava estas meninas há uns tempos. linkaram-me e fui espreitar... era a neve. perdão, que template do caraças. dá gosto ser gaja... ou assim.]

domingo, 28 de dezembro de 2008

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Já vimos este filme tantas vezes... Puxa-se as orelhas na manchete de um jornal. Cria-se o efeito. Depois... pfff.

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2008

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2008

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2008

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2008

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2008

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2008

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2008

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2008

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Por mais que tente, fico sempre a léguas da perfeição. Por exemplo, não gosto de caviar, o que me afasta, irremediavelmente, das reuniões de esquerda do dito.

sábado, 27 de dezembro de 2008

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2008



Bob Dylan

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2008



Fleet Foxes

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2008



Camané

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2008




The Ting Tings

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2008



Teddy Thompson

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2008



The Last Shadow Puppets

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2008



Vampire Weekend

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Parece que o ano vai terminar (e começar) com mais umas trocas de mimos entre israelitas e palestinianos. Há uns tempos, cheguei a tentar discutir este assunto com algumas pessoas que me pareciam sensatas. Desisti.
Hoje, dá-me até um certo conforto que se disparem uns tiros por aquelas bandas. Sinal de que, perante tanta coisa que muda tão rapidamente, há ainda coisas que nunca mudam, que nos fazem acreditar que ainda estamos no mesmo mundo em que, milénio atrás de milénio, se atiram umas pedras pelas mesmas (sem)razões de há milénios e milénios.
Além do mais, também houve um tempo em que cheguei a acreditar na bondade humana. Já não me lembro se como ponto de partida, se como ponto de chegada. A bondade humana é, afinal, ensinou-me o tempo e a vida, a mais superficial e efémera das coisas sobre a Terra. Que assim seja.

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Não sei se acontece o mesmo convosco, mas tenho notado algumas movimentações estranhas junto do banco do jardim de S. Amaro.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

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Paolo Conte, La Donna in Inverno / Sparring Partner, Verona 2005

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A ressaca natalícia:

as secretas europeias querem agora saber quem é Jesus e apanhá-lo

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No Hospital São José, em Lisboa, a urgência também regista uma forte procura. A Lusa apurou junto deste hospital que, às 20:00, os casos menos urgentes tinham de esperar oito horas e 59 minutos para serem atendidos. A espera dos casos urgentes situava-se nas cinco horas e quatro minutos e os muito urgentes 19 minutos.

[Eu hoje também pensei ir ao hospital por causa do atchim pedir um papel para não ir trabalhar na ponte mas ósdespois pensei que sempre era melhor ir trabalhar e fazer atchim no trabalho do que ficar oito horas e 59 minutos na fila do São José.]

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E agora... "a maior pistola de plástico de sempre":

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Há notícias que ainda conseguem surpreender...
E que tal a promoção de uma campanha para que tenhamos o primeiro primeiro-ministro marca branca do mundo?
[Conheço um jornalista que, a esta hora, já terá mandado aos ministros que fizeram a oferta um mail a perguntar se foi feito o respectivo concurso público para aquisição da prenda...]

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

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[Disclaimer: os posts lêem-se uns atrás dos outros, não necessariamente pela ordem em que foram escritos. De qualquer forma, o autor não se responsabiliza pela falta de sentido que tudo isto possa ter.]

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Mais exactamente, assim



Marianne Faithfull - As Tears Go By (1965)

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Há uns anos, activei o Google Alerts com o meu nome. Algo entre a vaidade e o profissionalismo. Toda a gente gosta de saber o que dizem de si (bem ou mal) e, trabalhando-se nos ou com os media, isso é de alguma forma vital.
Só que a Net tem mistérios insondáveis, e o Google Alerts fala-me todas as semanas de um mundo que já não é o meu. Um mundo de há dois, três anos... às vezes menos.
Ontem, alertou-me para algo que não tinha lido na altura [Nov. 2007], escrito por um dos bloggers de referência cá do sítio, em que o meu nome é alcandorado a missões que de todo me escapam, numa catilinária sem sentido [a velha história de que o LNEC ia estudar Alcochete a fingir, de modo a que o Aeroporto se mantivesse na Ota]. Pouco interessa aqui o assunto em concreto. Apenas registo o sorriso que me provocam estes ecos distorcidos do passado... E diverte-me ainda mais a simples ideia de um mundo em que fosse possível, a todo momento, cotejar as toneladas de disparates que todos os dias se escrevem com a realidade tal como ela se apresenta.

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Muitas das revistas da especialidade colocam o disco For Emma, Forever Ago, de Bon Iver, como um dos melhores de 2008. Compreendo, e até gosto, mas daí...

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No último dia de aulas, um puto apontou uma arma de plástico à professora para exigir melhores notas. Parece que, segundo a presidente do Conselho Directivo, a coisa nem é lá muito grave, o chato é que tenha sido filmada e chegado ao Youtube.
Mário Nogueira, o novo Marcelo, o novo Rogeiro, já comentou. Mas extraordinário mesmo é o comentário da Federação de Associações de Pais do Porto (!): "Há culpados que têm que ser denunciados e o mais importante de todos é a administração escolar (Direcção Regional de Educação do Norte - DREN), que, sobretudo depois do caso da [Escola] Carolina Michaelis, devia ter imposto regras claras que impedissem a utilização de telemóveis durante as aulas e não o fez".
Não sei se percebem a ligação - a culpa de um puto apontar uma pistola de plástico está relacionada com a utilização de telemóveis...
A culpa, segundo os Pais, nunca poderia ser dos pais. Da educação, que deve começar e acabar em casa.
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Aproveitei o passeio pós-almoço para deixar na reciclagem as garrafas, os jornais velhos e outros despojos. Assustei-me à distância. As coisas, os grandes contentores azuis, estavam rodeadas de lixo por todos os lados. Pensei - os outros adiantaram-se, os contentores estão cheios... Aproximei-me a medo e espreitei - afinal, os contentores estavam menos que meios. O pessoal é que não esteve para se dar ao trabalho de colocar o lixo nos buracos respectivos. Os montes e sacos de tralha, ali, como no resto da cidade, foram atirados à balda... Alguém que trate disso.
Há-de haver sempre uma DREN, uma câmara, um Governo para culpar. Seja do que fôr.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

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E, para todos vós, uma bela canção de Natal (parece-me...):

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

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Árvore de Natal com prendas, presépio, gata e Lichtenstein.

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Os jornais publicaram fotos de Amy Winehouse em topless nas Caraíbas. Politicamente correcto seria condenar esta intromissão na vida privada da rapariga. Neste caso, vale a pena abrir uma excepção para constatar que, felizmente, Amy está bem mais saudável do que rezam algumas crónicas.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

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Hoje demorei duas horas a regressar a casa, em vez dos 30 minutos habituais. Carros por todos os lados, em todos os sentidos, em todas as posições. Coisas do dia 22 de Dezembro, rezam as estatísticas. Sem mais que fazer que esperar, entretive-me a observar os meus companheiros de infortúnio. Num carro, quatro professores em fase pós-avaliação, o trauma, o drama, a burocracia, estampados na cara. Mais à frente, um juiz (os juízes, ao contrário dos professores, nunca viajam em grupo). O rosto pesado, as olheiras, deixavam adivinhar horas e horas remexendo processos. Presume-se que, não por dentro, mas de um lado para o outro. Agora, com menos férias e com a independência ameaçada - como se sabe, a ameaça à independência dos juízes tornou-se endémica -, poucas alegrias lhes restam. Atrás de mim, dois pequenos e médios empresários, daqueles que investiram bué de dinheiro num negócio muito interessante, mas que, infelizmente, não interessa a ninguém. O tom alaranjado da pele destes compinchas não os deixa mentir - são pessoas em dificuldade. Num Mercedes topo de gama, última geração, um médico, distraído, carrega ainda o estetoscópio ao pescoço. Anda desanimado. Com os médicos é ciclíco. Quando é que os governos vão deixar de chatear os médicos? Desta vez é porquê, mesmo? Triste mesmo é aquele militar, num Volvo com uns anitos, mas muito bem conservado, a quem, garanto pelo aspecto, retiraram toda a dignidade nos últimos tempos. Percebe-se isso à distância, não os motivos. E há ainda um autocarro cheio de homens do lixo lixados com a vida. E uns agricultores que já pouco agricultam. E uns pilotos da TAP que ficam em terra. E hordas e hordas de gente desprezada, deprimida, incompreendida, e até mesmo alguns manéis alegres.
E todos, neste santo dia 22, aproveitam para fazer as últimas compras de Natal. Porque, como se sabe, a crise é grande. Uma crise que não se aguenta. Tão grande que o melhor mesmo é pegar no carro, encher o depósito e enfiar-se num centro comercial. Comprar, antes que os outros comprem o quinhão que lhes está destinado. Comprar tudo, menos a reserva para o reveillon num hotel do Continente, da Madeira, ou das Caraíbas. Isso não, que está tudo esgotado.

domingo, 21 de dezembro de 2008

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Depois da "maior manifestação de sempre", o "maior abaixo-assinado de sempre". Nada que não se resolva com o "maior manguito de sempre".

sábado, 20 de dezembro de 2008

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Como um filme... uma valsa triste, que é, afinal, um requiem. Brel, numa das mais belas canções que conheço. Orly.




Ils sont plus de deux mille
Et je ne vois qu'eux deux
La pluie les a soudés
Semble-t-il l'un à l'autre
lls sont plus de deux mille
Et je ne vois qu'eux deux
Et je les sais qui parlent
Il doit lui dire je t'aime
Elle doit lui dire je t'aime
Je crois qu'ils sont en train
De ne rien se promettre
Ces deux-là sont trop maigres
Pour être malhonnêtes

lls sont plus de deux mille
Et je ne vois qu'eux deux
Et brusquement il pleure
Il pleure à gros bouillons
Tout entourés qu'ils sont
D'adipeux en sueur
Et de bouffeurs d'espoir
Qui les montrent du nez
Mais ces deux déchirés
Superbes de chagrin
Abandonnent aux chiens
L'exploit de les juger

La vie ne fait pas de cadeau
Et nom de Dieu c'est triste Orly
Le dimanche
Avec ou sans Bécaud

Et maintenant ils pleurent
Je veux dire tous les deux
Tout à l'heure c'était lui
Lorsque je disais "il"
Tout encastrés qu'ils sont
lls n'entendent plus rien
Que les sanglots de l'autre

Et puis, et puis infiniment
Comme deux corps qui prient
Infiniment et lentement
Ces deux corps se séparent
Et en se séparant
Ces deux corps se déchirent
Et je vous jure qu'ils crient

Et puis ils se reprennent
Redeviennent un seul
Redeviennent le feu
Et puis se redéchirent
Se tiennent par les yeux
Et puis en reculant
Comme la mer se retire
Il consomme l'adieu
Il bave quelques mots
Agite une vague main
Et brusquement il fuit
Fuit sans se retourner
Et puis il disparaît
Bouffé par l'escalier

La vie ne fait pas de cadeau
Et nom de Dieu c'est triste Orly
Le dimanche
Avec ou sans Bécaud

Et puis il disparaît
Bouffé par l'escalier
Et elle, elle reste là
Coeur en croix, bouche ouverte
Sans un cri sans un mot
Elle connait sa mort
Elle vient de la croiser
Voilà qu'elle se retourne
Et se retourne encore
Ses bras vont jusqu'à terre
Ca y est: elle a mille ans

La porte est refermée
la voilà sans lumière
Elle tourne sur elle-même
Et déjà elle sait
Qu'elle tournera toujours
Elle a perdu des hommes
Mais là elle perd l'amour

L'amour le lui a dit
Revoilà l'inutile
Elle vivra de projets
Qui ne feront qu'attendre
La revoilà fragile
Avant que d'être à vendre

Je suis là, je la suis
Je n'ose rien pour elle
Que la foule grignote
Comme un quelconque fruit.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

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Ser professor sempre foi, para uma imensa maioria de licenciados nas mais variadas coisas, uma espécie de último recurso. Vai-se para a universidade, nem sempre para a área preferida, e depois, se não aparecer nada de melhor, há sempre uma escola que, com horários reduzidos, férias longas, ausências permitidas à fartazana, progressão na carreira garantida, está de portas abertas. Parece que há, agora, quem queira clarificar um pouco esta coisa... E, enquanto se armam em quase-missionários intocáveis, os ditos professores só pensam em sair dali. Com a autoridade de quem nunca esteve e sempre se sujeitou às regras do lado de cá, gostava de prevenir que isto, do lado de cá, não é pêra doce.

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Da adaptação que Cohen fez do poema de Lorca, e em que todos os versos são de uma beleza cortante, gosto especialmente deste:

On a bed where the moon has been sweating

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

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My mouth on the dew of your thighs

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Pequeño Vals Vienés
Federico Garcia Lorca / Leonard Cohen
Enrique Morente & Lagartija Nick


En Viena hay diez muchachas,
un hombro donde solloza la muerte
y un bosque de palomas disecadas.
Hay un fragmento de la mañana
en el museo de la escarcha.
Hay un salón con mil ventanas.

¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals con la boca cerrada.

Este vals, este vals, este vals, este vals,
de sí, de muerte y de coñac
que moja su cola en el mar.

Te quiero, te quiero, te quiero,
con la butaca y el libro muerto,
por el melancólico pasillo,
en el oscuro desván del lirio,
en nuestra cama de la luna
y en la danza que sueña la tortuga.

¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals de quebrada cintura.

En Viena hay cuatro espejos
donde juegan tu boca y los ecos.
Hay una muerte para piano
que pinta de azul a los muchachos.
Hay mendigos por los tejados,
hay frescas guirnaldas de llanto.

¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals que se muere en mis brazos.

Porque te quiero, te quiero, amor mío,
en el desván donde juegan los niños,
soñando viejas luces de Hungría
por los rumores de la tarde tibia,
viendo ovejas y lirios de nieve
por el silencio oscuro de tu frente.

¡Ay, ay, ay, ay!
Toma este vals, este vals del "Te quiero siempre".

En Viena bailaré contigo
con un disfraz que tenga
cabeza de río.
¡Mira qué orillas tengo de jacintos!
Dejaré mi boca entre tus piernas,
mi alma en fotografías y azucenas,
y en las ondas oscuras de tu andar
quiero, amor mío, amor mío, dejar,
violín y sepulcro, las cintas del vals.

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Viver enlouquece

Reparei que alguns blogues se vangloriam agora de estarem em não-sei-que-lugar de um novo top. Fui ver. Começo a ter sérias dúvidas de que tenhamos salvação.

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Dizer mal dos bancos é do mais in que há. E então à esquerda... Diga-se de passagem que os tais dos bancos também se puseram (e ainda põem, ainda põem...) a jeito. Não posso por isso deixar de saudar o sentido de humor do BES. Há vários meses que permite, na imaculada pedra branca da sua agência do Conde Barão, em Lisboa, este fabuloso graffiti:

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

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Escolher uma única canção, de vida, de amor, canção apenas, uma única, é coisa que não faço. Mas esta tem uma série de coisas, muitas coisas mesmo, de que gosto muito. Tanto.

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Eh pá, desculpem lá. Eu disse "esquerda"? Nããã... eu queria dizer "esquerdas". É assim que agora se diz, conforme esclareceu Joana Amaral Dias.
O momento é histórico. Antes, havia a esquerda, no singular, que tinha três partidos (PC, PCP e BE). Agora, há as esquerdas, no plural, que só tem um partido (BE). E ainda dizem que a matemática não é uma das mais belas formas de poesia.

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O Manuel Alegre está na SIC. Acho que bate o Louçã por KO - diz "esquerda" muito mais vezes. E agora acaba de dizer que o Orçamento do Estado tem pouco dinheiro para a promoção e a difusão da língua portuguesa. Estou impressionado! Ah... é verdade, e falou da Grécia. Ah, a Grécia...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

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Isto começa a ser preocupante - os assuntos sobre os quais não tenho nada, mas mesmo nada, a dizer. Por exemplo, o Manuel Alegre e o forum da verdadeira esquerda. O que era mesmo aquilo!?

domingo, 14 de dezembro de 2008

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

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Intimissimi, Nokia E71, BMW 5

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Intimissimi, Nokia E71, Fiat 500

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

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Mais canções de amor? Ora deixem-se disso... Gajas. Gajas é que é!

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Hoje, deu-me para espreitar o Louçã na Judite. O homem tem uma obsessão - tirar a maioria absoluta a Sócrates. E, nos cinco minutos que aguentei, disse "esquerda" 84 vezes. O Luís M. Jorge, presumo, a esta hora ainda está em transe.

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Aconteceu mesmo agora. A ministra da Educação é rodeada pelos jornalistas à entrada para uma reunião. Após responder, durante uns minutos, a várias questões, a ministra, delicadamente, rompe o cerco e dirige-se para a reunião. A jornalista da RTP vira-se para a câmera e começa: A ministra não responde às questões dos jornalistas...

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Gosto destes momentos - Manoel de Oliveira faz 100 anos e eu não tenho nada a dizer. Nada.

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Não conheço nada mais alucinado que os diálogos entre Mário Crespo e Joaquim Aguiar. Nunca perco. Ontem, houve mais um.
[Ooops... falei cedo de mais. Estão mesmo agora a dar uns excertos de mais (!) uma entrevista a Medina Carreira...]

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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

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Era um crítico que se levava tão a sério, tão a sério, que só comprava obras por si próprio recomendadas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

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Durante uns anos, frequentei uma profissão repleta de iluminados. De pessoas com espírito de missão. Uma profissão tão especial que até tem um Código Deontológico próprio (que poucos o levem a sério é assunto para outro texto...), que até reivindica para si própria imunidades especiais, que até se arroga o direito de não admitir ser escrutinada (não acreditem quando ouvirem o contrário...), que até inventou Provedores (com caixa alta...) para dormir de consciência anestesiada enquanto a populaça abre a boca com o arremedo de auto-crítica, que, enfim, até gostaria de ser pastoreada por uma Ordem porque uma Ordem é coisa de gente importante e mais importante que essa gente não há.
Penso que foi nesse caldo de cultura (!?) que cresceu a minha aversão a profissões com espírito de missão. Uma profissão é uma profissão. Sim, este texto é, essencialmente, sobre professores.

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Há uma semana que ando a passar a 70 (e às vezes mesmo a 80...) naqueles radares que dizem 50. Espero que a Polícia Municipal de Lisboa não se importe.

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Antes de se tornar politicamente desinteressante (eh, eh...), FNV escreveu a melhor série da blogosfera doméstica. Pena eu não ser nem jornalista, nem lisboeta, nem ter partido, nem ser engraçado, nem nada, só para ir a Coimbra contrariá-lo.

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A perfeição, é certo, não existe, minha amiga. Mas é algo que se deve almejar (oh... vocês sabem lá o que me apetecia escrever esta palavra...).
[Ainda a tempo: a avaliar pelo que se escreve nos comentários, não falta quem almeje].

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

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Foi com algum espanto (enfim, o possível, que uma pessoa já pouco se espanta...) que li alguns comentários inflamados (especialmente à esquerda) acerca das últimas sondagens. Como se o diminuto elevador das décimas que sobem e décimas que descem pudesse mudar radicalmente alguma coisa. Vale a pena, por isso, ler este texto [O espanto com as sondagens apenas prova que muita gente vive na lua]. A começar pelo fim.

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O slogan deste Inverno:

Adoptemos o Metro!

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pssst... vai um segredo? é natal, pois!




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Love songs, love stories.

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domingo, 7 de dezembro de 2008

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Gostava de ser um melhor leitor.

sábado, 6 de dezembro de 2008

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ainda as canções de amor...

conheço várias versões desta canção (até da Celine Dion... brrrggg). mas esta, de Johnny Cash (encarecidamente vos peço que não vejam o vídeo completamente despropositado; ouçam apenas a canção, de preferência às escuras...), vai onde poucas, muito poucas, canções chegam. não apenas pela interpretação do grande Cash, mas também pela produção de Rick Rubin (a presença do órgão torna estes quatro minutos numa experiência pouco menos que mística).


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

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Das minhas memórias secretas - todos temos pequenos e grandes gestos nas nossas vidas que raramente contamos, porque não fazem sentido na nossa biografia, ou simplesmente porque não calha - consta o transporte do material dos Rádio Macau de uma vivenda de Rio de Mouro para uma tenda na Praça de Espanha. A conduzir uma carrinha a cair de podre.

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Em 1978, Marvin Gaye (1939-84) divorciou-se de Anna Gordy (irmão de Berry, o fundador da Motown). Uma das cláusulas do acordo de divórcio previa que Anna recebesse parte dos lucros da venda do próximo disco de Marvin. Contrariado, a princípio, Marvin Gaye acabou por gravar um extenso relato em que exorcizava a separação. O disco chama-se Here, My Dear, foi reeditado este ano e dele faz parte esta When Did You Stop Loving Me, When Did I Stop Loving You.

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Outra?

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Quereis uma canção de amor?

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Não, não consigo escolher uma canção de amor. Ou de desamor. Conseguiria, com tempo e paciência, encher um CD delas. Mas de uma coisa tenho a certeza, muitas seriam da linhagem da grande música negra - dos blues, R&B ou soul. E dos derivados que se lhe seguiram ao longo de décadas. É aí que a música mais desesperada se alia às palavras mais sinceras para fazer as mais belas e dolorosas canções.

















Já agora, vale a pena esperar por este filme.

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Noto que em alguns blogues se tenta encontrar a melhor canção de amor de sempre. A tarefa é interessante, pelo menos mais interessante que discutir as múltiplas crises que nos atormentam, mas que, na realidade, ainda ninguém viu.
Tem, pois, potencial lúdico, o que implica admitir à partida a impossibilidade de lá chegar.
Desde logo, as canções de amor (as outras também, mas as de amor ainda mais...) não existem isoladas. Elas dependem de contextos - da cultura e sensibilidade de quem as ouve; das circunstâncias em que são ouvidas.
Depois... o que é uma canção de amor? Assim às primeiras, consigo distinguir três categorias: as canções de amor propriamente ditas, as canções sobre o amor, e as canções de desamor (que inclui tudo o que tem a ver com o amor que acaba, que não se concretiza, que parte a alma...) Esta última categoria é, de longe, a mais produtiva e é, também, aquela onde se encontram as melhores canções. E, por paradoxal que pareça, é entre as canções de desamor que encontramos as melhores canções de amor. Confuso? Pois é...

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A legitimidade dos sectores não pode impedir a legitimidade democrática. A prevalecer alguma coisa, tem que ser a legitimidade resultante do voto. Seria mau que terminássemos isto de uma forma negativa, onde tudo parou mais uma vez, onde nada acontece.

Jorge Sampaio, Jornal de Negócios, 5.12.08, sobre o conflito professores/Governo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

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Por falar em Britney... a Rolling Stone, além de lhe dedicar a capa, disseca o comeback e mostra as 69 fotografias da vida dela.

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Nos últimos tempos, quase todos os dias ouço na televisão frases deste tipo:
"A terminar este noticiário, dizer-lhe que...".
Não percebo... Que raio de regra gramatical rege uma coisa destas?

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Concordar com João César das Neves. Ao que uma pessoa chega...

A nossa imprensa traz pouca informação. Muita análise, intriga, provocação, boato, emoção, combate, mas pouca informação. O público não quer jornalismo, quer entretenimento. Para ter sucesso o repórter precisa de ter graça, ser espirituoso, ver o aspecto insólito. Assume uma atitude de suposta cumplicidade com o leitor, ouvinte ou espectador desmontando para gáudio mútuo o ridículo que achou que devia reportar. Antecipa no relato o que assume ser o veredicto popular, condenando ou absolvendo aqueles que devia apenas retratar.

Relatar o sucedido é o que menos interessa. O jornalista vai ao evento para impor a agenda mediática que levou da sede. A inauguração de um projecto revolucionário, por exemplo, só importa pela oportunidade de fazer a pergunta incómoda ao governante sobre o escândalo do momento. Investimentos de milhões, trabalho de multidões, avanços e benefícios notáveis são detalhes omitidos pela intriga picante que obceca o periódico.

O mais curioso é que, embora a imprensa escrita e falada seja intensamente opinativa, nunca se assume em termos políticos. Não existe em Portugal o alinhamento ideológico explícito de jornais e emissoras de referência que existe em todos os países. O público não é informado da orientação do meio que escolheu, porque todos dizem apenas a verdade. Todos os repórteres têm opinião, mas todos são isentos de orientações e partidarismos. Os resultados são caricatos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

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A 17. Durante largos minutos, a Lua dançou com Vénus e Júpiter.
[e perguntas tu para que serve um blogue?]
--> imagens aqui.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

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The Last Shadow Puppets - My Mistakes Were Made For You

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Num jantar de trabalho, calhou-me esta semana um cromo para quem os sinais stop são um dos bloqueadores do nosso desenvolvimento. O fulano desenvolvia a tese, sem laivos de ironia, por entre uns bitaites acerca das características da alma portuguesa e umas dissertações aparentemente informadas sobre engenharia e planeamento urbano. Os sinais stop...

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Na verdade, é muito mais fácil opinar quando não se conhece. Se assim não fosse, não haveria tanta gente a opinar sobre tudo e mais umas botas um pouco por todo o lado.

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António Lobo Antunes, a nova estrela da publicidade portuguesa - um dos melhores momentos de humor dos últimos tempos [a seguir ao James Bonga, que também não é nada mau].

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«Toda a avaliação deverá ser transparente e partir do próprio avaliado. Nesta perspectiva, todos os critérios e vectores de avaliação têm de ser controlados pelo avaliado. A impossibilidade desse controlo inviabiliza um critério enquanto tal. O trabalho de auto-análise não é só importante, ele é indispensável a um modelo eficaz que pretenda reflectir o desempenho real, pelo que o processo deverá contemplar a auto-avaliação.»

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

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Caro Anónimo
Descubra a gaja que há em si. Vai ver que até gosta.

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Lisboa?
Ou outro assunto qualquer...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

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uma carícia que se descobre quase eterna. que nunca se cansa de o ser. um olhar que só é cúmplice se te deixares cativar. se lhe deres toda a atenção do mundo. se te perderes nele. um estar ali agradecido sem causa alguma. só, assim. o tempo que não se deixa prender. tudo flui. serenamente. languidamente, arrisco. a carícia, outra vez.
nos últimos meses, não é que as gatas tenham substituído as pessoas. apenas. mais que isso. de certa forma, mostraram-me caminhos há muito esquecidos ou nunca percorridos. as gatas, imagine-se. esses caminhos de serenidade, de paciência, de paz.

(...)

as gatas entraram na minha vida a contragosto. desconfortava-me a ideia da irracionalidade. que poderia tomar a forma de desarrumação, falta de higiene, fardos vários. aconteceu um pouco de tudo isso e mais uns cortinados rasgados, uma jarra de cristal quebrada, um sofá precocemente envelhecido.

(continua)

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A minha caixa de spam anda especialmente animada nesta época natalícia. Não falta quem me queira dar ideias, o que só vem provar que o spam não é, afinal, tão estúpido como o pintam. Num dos últimos mails, vinha esta sugestão, na secção "Don't know her size". Confesso que ainda não entendi totalmente a utilidade da cadeira. Com que "size" terá ela a vez?

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Este blogue não é um diário.
Este blogue é mais ou menos diário.

domingo, 23 de novembro de 2008

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domingo à tarde

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coisas completamente a despropósito: tenho o péssimo hábito de nunca anotar a data de aniversário das pessoas.

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sábado, 22 de novembro de 2008

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

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O Império 2



Isto é muito interessante!

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O Império



O mundo de Condi que Barack vai herdar. Uma leitura muito interessante. E um texto a guardar. Para, daqui a um ano, daqui a dois, daqui a três... irmos vendo o que muda. E o que não.

A propósito:

The US will remain the single most important actor but will be less dominant.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

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jingle bell, jingle bell...

cláudia vieira está de regresso às ruas de lisboa.

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Há uns meses, corria na passadeira com o Cohen no iPod. Agora, estou a curtir mais o Fatboy Slim. Nunca tive grande fé na evolução das espécies.



quarta-feira, 19 de novembro de 2008

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Tratava de uma sopa de espinafres e vigiava o lento borbulhar de duas postas de pescada número cinco. A televisão estava ligada e foi assim que Teresa Guilherme me fez companhia por meia hora. Era aquele programa em que as pessoas, de forma voluntária mas a troco de dinheiro (lógico...), se vão humilhar e embaraçar a família. Uma degradação, clamaram há tempos os críticos e afins. Não me pareceu. Expôr a miséria humana já todos os noticiários fazem todos os dias, a todas as horas. E nem sequer pagam aos humilhados. O que me prendeu mesmo foi a Teresa Guilherme. Perdi o hábito da televisão prime-time e já não via a Teresa, talvez exagere um pouco, há uma dezena de anos. O que me surpreendeu é que está tal e qual as imitações que dela tenho visto em programas humorísticos. E me levantou a dúvida de se ainda será a Teresa ou já a Teresa a imitar a Teresa. A sopa de espinafres, essa, ficou óptima.

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O Ensaio Sobre a Cegueira é um belo filme. Não sei se respeita o livro, porque eu nunca leio os livros. A história, não estarei a revelar nada, presumo, gira à volta de uma cegueira repentina e temporária que atinge a Humanidade. Este tipo de ensaios são sempre interessantes, na medida em que permitem testar - ou, melhor, teorizar acerca de... - os comportamentos humanos em situações limite. A história do cinema está cheia de exemplos destes, entre os quais avultam os chamados filmes-catástrofe. Penso que ainda ninguém fez um livo ou um filme baseados num cenário em que um líder político livremente eleito suspende a democracia por seis meses para aplicar o seu programa. Na realidade, até há casos de líderes eleitos em liberdade que suspenderam a democracia, mas que gostaram tanto da ideia que a eternizaram. Não há por aí um autor que queira pegar na ideia dos seis meses? Personagem principal é coisa fácil de arranjar...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

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Sempre que penso em deixar de ler blogues, surge um post salvador, como este. De escaqueirar a rir (sugestão daqui). Qualquer comentário estragaria a fruição plena de tal pérola.

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Notícias da Disneylândia:

Educação: Alunos de Viseu manifestam-se por sentirem professores "cansados" com avaliação
[Lusa, 17 Nov 08]

domingo, 16 de novembro de 2008

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Correio da Manhã - Alguns dos seus maiores críticos, dentro e fora do PS, são pessoas de esquerda ou partidos de esquerda. E os sindicatos que são normalmente ligados à esquerda ou a partidos políticos de esquerda. A senhora ministra é uma mulher de esquerda? Porque é tão atacada pela esquerda inteira, até a esquerda do PS, que é uma pergunta importante: considera-se uma mulher de esquerda?
Maria de Lurdes Rodrigues - Considero e acho que há a esquerda da retórica e a esquerda da acção.
Correio da Manhã - A esquerda da retórica é a que está neste momento a criticá-la?
Maria de Lurdes Rodrigues - Eu vejo discursos em defesa da escola pública e depois leio que são um conjunto de adjectivos, de ideias, nada de factos, que ignoram aquilo que se está a fazer em defesa da escola pública. Por exemplo, a escola pública é um tema que mobiliza muito a esquerda.
Correio da Manhã - Sim, sim.
Maria de Lurdes Rodrigues - Valorizar a escola pública. O que é que significa para esta esquerda que critica a escola a tempo inteiro, o alargamento da acção social escolar, refeições para todas as crianças do 1 º ciclo, transporte escolar, cursos profissionais em todas as escolas públicas, inglês para as crianças do 1 º ciclo, computadores individuais para os meninos do 1 º ciclo. O que é que isto significa? Nada. Nem uma palavra. E, portanto, eu acho que é uma esquerda que não apenas é a esquerda dos adjectivos, não sei exprimir de outra forma, como está capturada de uma visão que reduz a escola pública e a educação ao problema da condição dos professores. Estou a dizer-lhe com toda a sinceridade.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

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Que Aretha Franklin seja considerada a melhor cantora de sempre (it's America, guys...) só poderá surpreender os duros de ouvido. Que numa lista de melhores cantores esteja Dylan já poderá ser mais controverso.
























E, no entanto, porém...

The beauty of the singer's voice touches us in a place that's as personal as the place from which that voice has issued. If one of the weird things about singers is the ecstasy of surrender they inspire, another weird thing is the debunking response a singer can arouse once we've recovered our senses. It's as if they've fooled us into loving them, diddled our hard-wiring, located a vulnerability we thought we'd long ago armored over. Falling in love with a singer is like being a teenager every time it happens.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

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Ela olhava e gritava, mas o encantador ainda lhe não ouvia os gritos: encontrava-se ensurdecido pelo seu próprio horror, ajoelhando, procurando embrulhar-se, arrebanhando os cordões, tentando deter aquilo, ocultar aquilo, cedendo ao seu espasmo oblíquo, tão absurdo como martelar em vez de música, absurdamente derramando cera líquida, demasiado tarde para deter aquilo ou ocultar aquilo.

Vladimir Nabokov, O Encantador

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Penoso, nesta série do Gato Fedorento, não é tanto a falta de graça de quase tudo aquilo [como na última série na RTP, alguns momentos são mesmo muito bons...], mas a consciência que os protagonistas têm e demonstram disso mesmo. Eventualmente, o grau de exigência que temos em relação a eles - que quebrem com a medíocre mediania geral - é que será excessivo. Ou, simplesmente, talvez seja difícil, senão impossível, fazer humor profissional mais que duas ou três épocas seguidas.

Já o humor involuntário continua de excelente saúde. Nos idos de 2003, já eu me divertia imenso com os Mirandas e Gonçalves desta vida. E não é que, cinco anos volvidos, eles continuam a não desiludir?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

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Lx, Nov 08

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Já é quase meio dia e, hoje, ainda não vi nem ouvi a doutora Maria José Morgado a dizer uma daquelas verdades profundas e incontestáveis sobre o funcionamento da justiça e o combate à corrupção. Estranho, não é?

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

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Boomp3.com

Johnny Cash, Solitary Man

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A vida de W (!?)

Os blogues têm destas vantagens. Tudo é bem mais etéreo do que pensamos, dependendo, é verdade, da vaidade.
Isto para dizer que, por exemplo, podemos criar uma série e deixá-la morrer sem que alguém o lamente.
Contra todas as leis do marketing (mas onde ando com a cabeça, meu deus?), resisti sempre a criar séries, essas coisas que os blogues fazem quando o autor nada tem para dizer, mas que criam hábitos de leitura.
Há uns dias, comecei uma série. Qualquer coisa à volta de um demasiado óbvio W. Acontece que perdi o W. Não é que tenha perdido interesse pela sua vida. Simplesmente perdio-o enquanto personagem. Acho que é a primeira vez que perco uma personagem. Coisa tramada...

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1. A vitória de Obama vale por si. Ou seja, independentemente do que se seguir ou do real e profundo significado do que aí vier (ou não...), aquela vitória tem um peso específico. É, ela própria, um marco. Não apenas por Obama ser preto, ou pelo facto de a sua vitória pôr termo a um dos maiores pesadelos políticos do nosso tempo. A eleição de Obama extravasou largamente o seu significado político restrito e, nessa medida, adquiriu uma dimensão simbólica equivalente aos raros momentos de ruptura história. "Esperança" (hope) é a palavra-chave dessa mitologia, que de mitologia se trata, num mundo em que tudo parece ruir, ou, pior, tudo parece à beira do abismo.

2. A eleição de Obama vai obrigar muitos de nós a revermos a posição no xadrez do debate político. No auge da loucura bushista (o Iraque e o resto...), tinha eu outras actividades e envolvi-me com "meio mundo" à volta desse tema. Por mais que me apelidassem de anti-americano (afinal de contas, há mesmo livros sobre isso), insisti sempre que, para mim, o problema não era esse. Vejo a América como a terra da esperança (lá está...) e o que me revoltava era todo aquele disparate dos neo-cons. Mas, reconheçamos, muito "boa gente", à boleia dos disparates de Bush, limitou-se a renovar, remaquilhar, velhas cartilhas anti-capitalistas, anti-imperialistas, anti-americanas. Vai ser curioso assistir, nos próximos tempos, ao reposicionamento de muita gente.

3. É claro que a enorme esperança que hoje Obama encarna irá desembocar, aos poucos, mais cedo ou mais tarde, em desilusões várias. A política é isso mesmo. Meter as mãos na massa. Perturbar. Incomodar. Fazer rupturas. Desafiar. Mesmo aqueles que foram a base de apoio, ou outros que, longe, foi como se lá tivessem estado. Os consensos vão quebrar-se e ainda bem. O mito global em que Obama se tornou por estes dias durará algum tempo, pouco, e será, em boa medida, muito pouco fértil. A fibra do político ver-se-á quando começarem a levantar-se os primeiros clamores de contestação ou desilusão. Aí sim, teremos Obama. Ou não.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

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Boomp3.com

let us be lovers we'll marry our fortunes together
I've got some real estate here in my bag
So we bought a pack of cigarettes and mrs. wagner pies
And we walked off to look for america
kathy, I said as we boarded a greyhound in pittsburgh
michigan seems like a dream to me now
It took me four days to hitchhike from saginaw
I've gone to look for america

Laughing on the bus
Playing games with the faces
She said the man in the gabardine suit was a spy
I said be careful his bowtie is really a camera

toss me a cigarette, I think theres one in my raincoat
we smoked the last one an hour ago
So I looked at the scenery, she read her magazine
And the moon rose over an open field

kathy, I'm lost, I said, though I knew she was sleeping
I'm empty and aching and I don't know why

Counting the cars on the new jersey turnpike
They've all gone to look for america
All gone to look for america
All gone to look for america.

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Este homem, além de ter as pernas mais lindas da blogosfera, é um contentor de sabedoria.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

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A Monocle, provavelmente a melhor revista da actualidade, dedica a capa da última edição à arquitectura das embaixadas: Building a Better Embassy. Coisa de estrangeiros: a mania de que os edifícios devem ser desenhados para a função a que se destinam...
Pois a Monocle opina, vejam lá, que nas embaixadas do nosso tempo o espaço nobre deve ser destinado à promoção dos produtos inovadores, de design por exemplo, dos respectivos países. Vejam lá ao que eles querem reduzir a diplomacia... Enfim, só não entende quem não quer.

domingo, 2 de novembro de 2008

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You can spend the night beside her
And you know that she's half crazy
But that's why you want to be there
And she feeds you tea and oranges
That come all the way from China

Boomp3.com


Aretha Franklin, Suzanne

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

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Uma pessoa que viva em Portugal e que se deixe bombardear pelas notícias que fazem os telejornais, os fóruns e as primeiras dos jornais perde a noção da realidade.
Lá fora: "Revista Time despede entre 300 e 700 trabalhadores devido à quebra do investimento publicitário". It's the economy, PMES...

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Boomp3.com

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

terça-feira, 28 de outubro de 2008

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the answer is (probably) blowin' in the wind.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

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Basta observar com atenção os jornais e os blogues. Escancarados ou ainda envergonhados, os malucos estão de regresso, tentando amalucar tudo o que os rodeia. Eu já vi este filme. Já fui personagem forçado desta farsa. Tenho porém a ideia - e, já agora, a esperança - de que, desta vez, o filme vai ter um fim diferente. Not The End.

domingo, 26 de outubro de 2008

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A vida de W (4)

W continua.

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Disclaimer para os mais distraídos

Este blogue não é um diário. Às vezes, sim.

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acordo às sete e um quarto de domingo, como em todos os dias da semana. às sete e um quarto da hora de inverno, como se algum relógio secreto me comandasse a partir de dentro.

sábado, 25 de outubro de 2008

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Natalie Merchant, Ophelia, 1998


Ophelia was a bride of God
A novice Carmelite
In sister cells
The cloister bells tolled on her wedding night

Ophelia was the rebel girl
A blue stocking suffragette
Who remedied society between her cigarettes

And Ophelia was the sweetheart
To a nation overnight
Curvaceous thighs
Vivacious eyes
Love was at first sight
Love was at first sight...
Love...

Ophelia was a demigoddess
In pre-war Babylon
So statuesque
A silhouette
In black satin evening gowns

Ophelia was the mistress to
A Vegas gambling man
Signora Ophelia Maraschina
Mafia courtesan

Ophelia was the circus queen
The female cannonball
Projected through five flaming hoops
To wild and shocked applause
To wild and shocked applause

Ophelia was a tempest cyclone
A goddamn hurricane
Your common sense, your best defense
They wasted, and in vain

For Ophelia 'd know your every woe
And every pain you'd ever had
She'd sympathize and dry your eyes
Help you to forget...
And help you to forget

And help you to forget

Ophelia's mind went wandering
You'd wonder where she goes
Through secret doors down corridors
She'd wander there alone
All alone.

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a uma certa altura da minha vida, cheguei a acreditar que, sim, era verdade. as pessoas de palavra, aquelas com quem não era preciso assinar papéis, eram as mais confiáveis. "uma frase dele vale por mil assinaturas", ouvi dizer algumas vezes. a vida encarregou-se de me ensinar que não é assim. que, se os papéis assinados já de pouco valem, a palavra perdeu, também ela, o seu valor. hoje, guio-me pelos labirintos dos silêncios.

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Pronto, não baixa...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

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os objectos têm sobre as pessoas a vantagem do amor sereno.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

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they are back... tenham medo, tenham muiiiito medo!

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A Catarina foi uma das primeiras bloggers que conheci (o conhecer tem aqui um sentido totalmente figurado...). Foi a primeira (penso que a única...) a quem pedi desculpa por um post, que a seguir apaguei (e como isso foi no século passado, já nem me lembro do post ou do motivo). Peço-lhe desculpa outra vez... para a cadeia é que não vou.

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O Câmara Corporativa é um dos melhores blogues musicais cá do burgo. Dá música com uma generosidade rara. Agora, que teve a gentileza de me distinguir com o Prémio Dardos (!), penaliza-me confessar a minha alergia a cadeias. E por falar em cadeias...



[Os Fleetwood Mac são um dos meus grupos-fetiche, por motivos que levariam muito tempo a explicar e que exigiriam uma longa série de aulas práticas. Ah... e a Stevie Nicks é uma das gajas que mais me irrita, talvez só batida pela Celine Dion. Complicado, não é?]

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A vida de W (3)

São 10 e meia da noite de um dia que começou, on the road, às 8 da manhã. Nas próximas duas horas, W tem para confeccionar uma refeição para dois mais uma refeição para três, tem que dobrar a roupa de duas máquinas que secou no fim-de-semana, tem que convencer dois adolescentes a deitarem-se antes dele. Talvez jante pelo meio, talvez não. Talvez oiça um pouco de música a seguir. Talvez adormeça sem dar por isso. Talvez. Nada é muito relevante. Apenas tem de se assegurar que põe o despertador para as sete e um quarto.

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Da Cova da Beira à Beira Alta. Bordejar a Serra da Estrela nesta altura do ano é das coisas mais bonitas que há.

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Ouvi no rádio que a Câmara de Lisboa e a Estradas de Portugal vão estudar uma tromba de água que caiu sábado em Lisboa. Parece-me que não seria má ideia meter ao barulho o Instituto de Meteorologia.

domingo, 19 de outubro de 2008

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A vida de W (2)

W não se lembra do último fim-de-semana a que chamou seu. Lembrou-se disso num domingo à noite. Lembrou por lembrar, não que isso seja importante, ou que o facto de o pensar faça mudar seja o que for. Por exemplo, W nem tem a certeza de que queira um fim-de-semana seu. No fundo, do que W sente falta, falta mesmo, é da liberdade. Sabendo ele que isso não depende, em nada, dele. Porque a liberdade que ele quer depende de outras liberdades e ele nem a dele consegue determinar. No próximo fim-de-semana, W voltará a pensar que precisa de um fim-de-semana só para ele. Só, não.

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A vida de W (1)

W inventara para si o nome que lhe parecera mais adequado. Felizes os que têm a possibilidade de inventar o próprio nome. W não porque, como toda a gente apontava quando lhe perguntavam pelo signo, se sentisse de alguma forma bipolar. Se alguma multiplicação de personalidades havia nele, não se ficaria simplesmente pelo segundo número da ordenação. Não. W porque sempre acreditou que tudo pode sempre ser visto de outro lado. Que nada é verdadeiro. Que tudo é contingente. Acreditava, em suma, na relatividade das coisas. Fazia disso, aliás, instrumento de sobrevivência. W não se importava, por exemplo, que o tratassem por duplo vê, como fazem agora os miúdos da escola, mas ele habituara o ouvido, e respondia mais célere, quando o chamavam de dábliu. Era perfeito esse W. Múltiplo e, afinal, único. Singularmente simétrico. Ficou, então, W.

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O Lutz, que ainda vai tendo paciência para seguir a vida íntima dos blogues, regista duas cisões curiosas. Eu próprio, que, à excepção de uma brincadeira de dois ou três meses, só consigo blogar sozinho, de vez em quando lá vou tendo as minhas cisões. Zango-me comigo próprio, faço um ganda drama, chego a amuar, juro que nunca mais, e depois... reconcilio-me. Vantagens (há mais alguma?) da solidão.

sábado, 18 de outubro de 2008

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A palhaçada vista por olhos profissionais.

[ou, digo eu, talvez fosse um bom pretexto para aquele movimento... como é que se chamava?... aquele movimento de jornalistas contra... han... como hei-de dizer?... contra a mordaça, sim a mordaça em curso... dizia eu que talvez fosse altura para esse movimento se manifestar. como se chamava mesmo? ah... MIL, pois.]

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Can the Republicans Steal the Election?

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

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oops... este título, neste sítio... há aqui qualquer coisa que não bate certo.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

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às vezes, esqueço-me de que blogues muito bons.

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da série há canções de amor fodidas [e coreografias do outro mundo]

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Boomp3.com

Abba, Like An Angel Passing Through My Room, 1981

Aprendi a gostar muito desta canção na versão de Elvis Costello com Anne Sophie von Otter. Quando ouvi o original, ainda gostei mais.

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Já uma vez ou outra confessei a minha tara por títulos... hã... como dizer?... amalucados. Olhem só para este:

Casa do Azeite considera fim do galheteiro inviolável um "retrocesso completo"


[bom, também já mais que uma vez - eu tenho lá agora paciência para ir procurar isso...- manifestei a minha estupefacção pela fobia revelada pelas autoridades portuguesas em relação aos galheteitos. parece que, finalmente, alguém vai tentar pôr cobro a essa maluqueira]

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Hoje dei comigo a ler jornais e ver telejornais em que se abordava uma acção de formação de professores a partir das impressões pessoais de um professor do ensino secundário que tem na Net um texto intitulado: "Sejam livres, porra!". Eu acho que há aqui qualquer coisa que não bate certo. E não, não era disso que as televisões e os jornais falavam.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

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colecciono pedacinhos de canções. um verso, um riff, as cordas que se elevam, uma ponte que emociona, uma banalidade que faz todo o sentido entoada assim, cinco segundos de piano, uma respiração.
todos coleccionamos, mais que canções, pedaços de canções. e, se de alguma superioridade me posso arrogar, é de pertencer ao grupo dos que sabem que coleccionam pedaços de canções.
hoje, ao volante, uma estação de rádio banal levou-me de volta ao "my heart was going boom boom boom", de solsbury hill, no disco de estreia a solo de peter gabriel. não coloco aqui a canção porque há coisas que só se partilham com iniciados.
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roland barthes definia o punctum como o pormenor que, na fotografia, independentemente do seu significado ou representação global, nos atrai a atenção, estabelecendo a ligação afectiva.
é disso que falo quando falo dos pedaços de canções. punctum.