sábado, 28 de fevereiro de 2009

...

Falávamos, salvo erro, de jornais e jornalistas famosos, quando, às tantas, atirei:
- Acho que estás a ser ingénuo, o gajo é um mercenário...
- Sim, será. Mas é o nosso mercenário. Sabes, como naquela história do filho da puta. "O gajo é um filho da puta, mas é o nosso filho da puta..."
- Hum... Não estaria tão descansado. Por definição, nunca podemos chamar nosso a um mercenário.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

...

Volta Joana, estás perdoada

Desde que foi saneada no Bloco, Joana Amaral Dias tem sido mais frequente no Bicho Carpinteiro. Além do Bloco, ninguém ganhou grande coisa com a troca.

...

Banda sonora para a próxima estação




Zeca Afonso, Charlie Haden, Carla Bley, José Sócrates

...

Umas horas antes dos Oscars fui ver o tal filme do indiano que queria ficar milionário. Depois, li o que por aí se disse. Parece que o pessoal, a começar pelos críticos, está um bocado zangado. Ainda bem que não percebo nada de cinema.

...

Imagino já o coro de indignados com a frase de José Sócrates: "Em democracia, quem governa é quem o povo escolhe...".
Os comentadores têm pasto para muitos dias. Meu Deus, que ele falou num caso que está em investigação na justiça. E é a justiça que há-de julgar, meu Deus. E o povo, meu Deus, não se sobrepõe à lei. E, ai meu Deus, isto é populismo no seu pior.
Os comentadores adoram armar-se em anjinhos. Eles estão fartos de saber que Sócrates não falava disso. Porque não é isso que está.

[Act. sábado à tarde:
ainda pensei em mostrar aqui um ou dois exemplos do que acima está escrito. Desisti - é disso mesmo que falam todos os do costume e até os outros. Basta ver os blogues, as televisões... os jornais de amanhã.]

[Act. sábado à noite: Eis um bom resumo.]

...


















In the absence of your touch
And in the absence of loved ones
I have decided I’m throwing my arms around all of paris because only stone and steel accept my love
In the absence of your smiling face
I traveled all over the place
and I have decided I’m throwing my arms around all of paris because only stone and steel accept my love
I’m throwing my arms around all of paris because only stone and steel accept my love.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

...

A Quadratura da TVI-24 tem nome de programa de futebol (ou será ciclismo?) e tem o Vital Moreira e o Vasco Pulido Valente.
É um exercício interessante - parece feito à medida para demonstrar a diferença entre o opinador informado e o fulano que só manda umas bocas.

Apostilha: uma das coisas mais divertidas foi o barafustar de VPV a exigir que a Caixa explique publicamente e claramente todos os negócios que faz, a começar pelo da Cimpor/Manuel Fino; o mesmo VPV que, há umas semanas, barafustava em sentido contrário em frente àquela senhora que apresenta uma coisa às sextas-feiras pelas oito da noite - que não, que a Caixa é um banco e, como tal, não tem nada que dar conta pública das relações com os seus clientes. De cair da cadeira. Literalmente.

...

Não sei por onde andei entre 1982 e 87. Sei, mas por uma questão meramente estilística dá-me mais jeito fazer de conta. A verdade é que os Smiths me passaram completamente ao largo. E isso é um problema. Só não o é totalmente, porque, contas bem espremidas, há um ligeiro deslizamento geracional que me permite apresentar álibi. Talvez por me terem passado ao largo na altura certa, os Smiths não me dizem grande coisa.
Já Morrissey é outra coisa. Um dia explico porquê, se até lá encontrar explicação.
Este vídeo é do último disco. O gajo 'tá velho como o caraças...

...

À atenção dos casais...


...

Dizem-me que sou demasiado pessimista sobre o jornalismo que se pratica em Portugal.
Talvez...

Eis um exemplo.
O jornalista Hugo Beleza, do Portugal Diário, assina uma peça sobre o debate quinzenal no Parlamento com o primeiro-ministro. Junto à assinatura, faz questão de salientar que "esteve no local", mas logo ressalva que "acompanhou o debate em directo a partir do Twitter" (???). Mais intrigante é que, tendo estado no local, o lead da peça seja feito com... uma citação da Lusa.
Resultado de toda esta pessegada:
- o título: Sócrates «criou um tabu» sobre o Freeport
- no texto, fica claro que essa foi uma acusação feita por um deputado de um partido de nome estranho (Verdes?) e que Sócrates, desmentindo a ideia do "tabu", respondeu às tais "responsabilidades políticas" de que falava o deputado verde.

Este é o tipo de jornalismo de que muitas pessoas gostam. Câmara de eco (da oposição, ainda melhor...). Ahhh... e não pensem que é apenas nos jornais virtuais.

...


O sexismo ataca onde menos se espera. Numa movimentada rua de Lisboa, este barbeiro deixa claro que "senhoras, só cortes". Ignoro se abrem excepções para mulheres de barba rija.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

...

Um dos efeitos secundários mais perversos das leituras e extrapolações empolgadas de certos leitores compulsivos de jornais é o acantonamento dos jornalistas e, consequentemente, uma forte redução da sua liberdade.
Por exemplo, ao Pedro Sales ocorre que os jornalistas apenas podem fazer ao primeiro-ministro as mesmas perguntas da oposição, ou, em alternativa, as "estimulantes questões" de Alberto Martins.
Eu, antiquado que sou, preferia que os jornalistas não fizessem figuras de parvos ou de papagaios e fizessem o seu trabalho - fazer perguntas de... jornalistas.

...

gajos destes aparece aí um por década



há dias, caiu-me em cima da mesa o disco de 2008 do gajo (terá mais? é coisa que vou ver depois). com o título fabuloso de i started out with nothing and i still got most of it left. fabuloso.



[O que os blogues têm de mau é isto. Um fulano não pode fingir que descobre coisas. Há sempre alguém que vem logo de dedo no ar: "Eu vi primeiro, eu vi primeiro...". Pronto, no Câmara Corporativa este "ganda maluco" está a rodar há umas semanas, ainda para mais na famosa série do Black Cab... E agora têm lá outro catita, que vou ouvir, já sem poder fingir: "Olhem que coisa mais maluca que eu descobri...". Pfff...]

...

Nota mental: tenho duas ou três portas a ranger. Precisam de óleo.

...

Downgrading (*)

Título do Expresso de 21 Fev 09:
Zon Net desafia lei da gravidade.

Título do Diário Económico de 25 Fev 09:
Zon promete voar na internet.

[* a propósito do lançamento do serviço 100 Megas]

...

Coisas realmente importantes

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

...

...

Louvor à polícia de Braga

Parece-me evidente que os agentes da autoridade estariam imbuídos de um alto espírito de modernidade... que é de saudar, por tão raro entre quem nos guarda. Bem hajam.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

...

Há uns dias, coloquei esta música na grafonola cá do blogue



e pensava eu que teria alguns comentários (na realidade, tive, mas por "motivos técnicos"...). Quer isto dizer que tenho leitores muito jovens, de fraca memória, ou no 'leitores' at all?

Este tema era o genérico do programa Dois Pontos, na viragem dos anos 70 para os 80, no antigo Programa 4 da RDP, mais tarde Rádio Comercial.
Era em FM Estéreo, novidade à época, e foi nele que gravei as primeiras cassetes audio. Foi nele, penso, que me formei musicalmente.
O Dois Pontos seria hoje um programa impossível - passava discos inteiros (no tempo dos LP...), sem anúncios nem gente a falar por cima. E às vezes chegava a fazer ciclos - era possível gravar (em boas condições, quando o emissor assim o deixava, o que era raro) a discografia completa dos Doors, dos Pink Floyd, os melhores discos dos Stones. Foi aí que ouvi, pela primeira vez, Randy Newman, Genesis, Fats Domino, The Who. Tenho ainda algumas "jóias" em cassete...
O programa teve alguns anos (poucos) e ia mudando de estilo conforme mudava de apresentador. Uma enciclopédia ao vivo (vale a pena recordar que, nessa altura, numa pequena cidade de província, mal havia gira-discos, quanto mais discos... quanto mais para um adolescente de uma família remediada).

Lembrei-me do Dois Pontos porque a Rádio Comercial parece que está a fazer anos e pede aos ouvintes as suas melhores memórias.
Da Rádio Comercial tenho boas e más. Ficam para outra altura. Hoje apeteceu-me falar das memórias da pré-História da Rádio Comercial.

...

Vivemos tempos estranhos, de facto.

O IGESPAR, instituto público que zela pelo património nacional, exige dos seus técnicos que obedeçam às regras superiormente estipuladas.

Coloquemos a coisa no plano abstracto - uma entidade contrata técnicos para trabalharem tecnicamente de forma a concretizar os objectivos a que essa mesma entidade se dedica.

Por exemplo - a SIC tem uma linha editorial e exige dos seus jornalistas que a concretizem. Tem, para isso, estatuto editorial, livro de estilo, política de contratação, regras de avaliação profissional, incentiva os que não gostam da linha editorial a sairem.

Voltemos ao IGESPAR. Pago pelos contribuintes, deve administrar os bens públicos de forma ainda mais criteriosa. Obedece, em última instância, à vontade de todos nós, ao dinheiro de todos nós, ao voto de todos nós.

O IGESPAR, através dos seus órgãos próprios, determina que a prioridade é a conservação da arte romana e não da arte grega? Não faz sentido que um dos seus técnicos, em representação do IGESPAR, por actos ou opiniões, sobrevalorize a arte grega face à arte romana. Cristalino!

Vivemos tempos estranhos, de facto. Em que uma história destas é notícia.

...

Não há estado de maior solidão que a dúvida.

...



domingo, 22 de fevereiro de 2009

...

1 min 27 seg

...

O jornalismo de investigação em Portugal é hoje uma subdisciplina da genealogia.

...

[a audição integral de algumas canções neste serviço imeem exige pré-inscrição. é fácil, é grátis e, como algumas vacinas, só é necessário fazer uma vez]



I was a fan and I still really am
singing along to my favourite song
greatest thing I've heard
but I didn't get a word

j'ai écouté toutes ces chansons françaises
je ne savais pas ce qu'est une javanaise
un poinçonneur des lilas
ça veut dire quoi

I studied the booklet and searched for a sign
made up a meaning for every line
and a four letter word
l.o.v.e

j'ai écouté allongé sur mon lit
avec le temps alors tout s'évanouit
c'est quoi un cheval fourbu
j'ai jamais su

oh mon amour
je t'aime toujours
tu es partie
mon bonheur aussi

I was a fan and I still really am
singing along to my favourite song
une poupée de cire
qu'est-ce que ça voulait dire

...

ainda hoje, gostava de lhes ver a pele esticada a secar ao sol

quis o destino, chamemos-lhe assim, que o mínimo fevereiro passasse a assinalar no meu calendário pessoal uns marcos que obrigam a balanços e balancetes.
a vida vai-se vivendo e a importância das coisas balança com a maré.
fujo, por isso, a julgamentos definitivos. até porque, lá está, a vida vai-se encarregando de balancear, ela própria, o nosso destino. desvalorizo e relativizo, pois.
isso é uma coisa.
outra é a ignomínia por detrás de alguns gestos.

é por isso que ainda hoje

sábado, 21 de fevereiro de 2009

...

Estive a arrumar papéis e a endereçar à reciclagem uma data de coisas que se acumularam nos últimos dias. Entre essa papelada, um P2 (suplemento do Público), de que constam quatro páginas, assinadas pelo director, sobre uma fundação paga por Soares dos Santos, com os lucros do Pingo Doce, e animada superiormente por António Barreto, sociólogo. Muito haveria a dizer sobre isto, a começar pelo título: "think thank"?
Prendi-me numas frases enigmáticas, mas que presumo sejam programáticas, dos dois patronos:
- "Já contamos com especulações sobre o que é que nós queremos com estes projectos", diz António Barreto.
- "E os políticos não vão gostar. Já fui avisado para me preparar para uma reacção violenta", clarifica Soares dos Santos.

Descontemos a soberba e o ridículo destas afirmações, proferidas por quem não tem nada para mostrar, a não ser intenções.
Considero particularmente preocupante o espírito de trincheira, quixotesco, com que se fala de uma coisa que deveria ser, em primeira instância, dedicada ao bem público e que, por isso mesmo, deveria começar com uma atitude mais open minded.

Portugal tem actualmente duas grandes fundações. A Gulbenkian nunca precisou de criticar ou bajular os poderes para se ter transformado naquilo que é hoje - em muitos aspectos, substitui os Ministérios da Cultura e da Ciência. Sem ondas. Trabalhando e mostrando trabalho.
E temos a Champalimaud, ainda a dar os primeiros passos. Já criou um prémio internacional de prestígio. E está a construir uma sede que, pelo que conheço, será uma referência pelo menos em dois aspectos: um pólo de atracção de inteligência e investigação internacional; terá um dos edifícios mais belos de Lisboa e, em simultâneo, devolverá aos lisboetas uma faixa de centenas de metros de frente de rio, hoje vedada, com uma das vistas mais espectaculares da frente ribeirinha. Também esta fundação não precisou de andar por aí aos gritos para se impor. Parece-me estar a seguir o exemplo da Gulbenkian - trabalhar para depois mostrar o trabalho.

A fundação Pingo Doce/Barreto parece querer fazer o caminho inverso. É contra. Por definição, é contra. Pode ser um caminho interessante, mas duvido. Insisto: este tipo de fundações, feitas à base de doação de dinheiros ganhos à nossa conta, deveriam guiar-se por princípios de bem comum e, por isso, estarem abertas aos contributos da sociedade civil, mas também dos poderes, enfim, de todos. Sem preconceitos e sem espírito de trincheira.

Assim, e tendo em conta os escritos de Barreto e as declarações mais recentes de Soares dos Santos, parece-me que, em vez de erigirem uma fundação, ficar-lhes-ia mais barato fazer um serviço de recortes de imprensa.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

...

A fotografia pode ser a maior mentira do mundo.
Por exemplo, esta foi tirada hoje, durante uma muito agradável, e improvável, conversa acerca dos benefícios do mar na lavagem das almas.
Porém, quem assistisse de longe seguramente diria que nada naquela circunstância concreta batia certo.
O mundo vai tendo, felizmente, mais harmonias que aquelas que vemos à vista desarmada na monotonia dos dias.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

...

Não me lembro de alguma vez ter tido um pensamento profundo em frente ao espelho enquanto me barbeio.

Penso às vezes, nunca em frente ao espelho enquanto me barbeio, que sou do tipo de pessoas que devia ter pensamentos profundos em frente ao espelho enquanto me barbeio.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

...

No blogue Manchas, Luís Mourão escreveu três posts seguidos notáveis.
Se me permitem:

1.
Como se despoja um blog? (...) Resta o lance difícil: deixar de querer que alguém perceba o que quer que seja das nossas decisões.

2.
o jarrett é um improvisador
improvisa tão completamente
que chega a improvisar que é
[melodia
a melodia deveras existente

3.
O pensamento não vive da pressa, mas do espaço à volta para ressoar, remoer, re-pensar — e num blog não há espaço à volta.


Obrigado.