quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

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Última Hora
A SIC acaba de anunciar ao mundo que o tio de José Sócrates está em casa. A informação, relevante, terá sido fornecida por uma fisioterapeuta.

Actualização umas horas depois:
afinal, o senhor perdeu um cão.
Segunda actualização: por entre a parafernália de questões pertinentes dos jornalistas, tinha-me escapado o essencial - o cão chama-se Napoleão e é um "dogue francês". E, como este é um blogue que se orgulha de fazer algum serviço público, deixo aqui o apelo lançado pelo advogado Sá Leão (the name rings a bell...) - os senhores jornalistas bem que podiam colaborar na busca do Napoleão...
Terceira actualização (à laia de pista): haverá alguma relação entre a presença da fisioterapeuta e o desaparecimento do Napoleão?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

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controversa maresia & mátria minha

gosto muito de ler estas duas meninas (se quiserem), ou senhoras (se preferirem). escrevem (muito) bem e dizem coisas acertadas (sem "muito", que nunca as vi ganharem o euromilhões...). mas, às vezes, faço um jogo secreto: no sítio em que está um "nós" feminino, experimento um "eu" (que posso eu falar de outros?) masculino. às vezes calha bem, outras nem tanto.
o eterno jogo do "mostras a tua que depois mostro a minha" que prolongamos pela vida fora, intelectualizando pois claro, tem a sua graça muito própria. quando jogado assim, sem intuitos que não sejam os da sedução (sim, da sedução, que outra coisa não é). a sedução que centramos em nós próprios, sem necessária (mas sempre possível) existência de objecto receptor com endereço estabelecido. o caldo só entorna, e pela parte que me toca entorna cada vez mais, quando dessa pura e encantadora (de encantar, como fazem as serpentes) conversa se parte para um certo colectivismo. activismo, se quiserem.
e era isto que tinha a dizer, não me perguntem porquê.

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OOOOOOHHHHAAAAAA I WANNA TO BE WITH YOU EVERYWHERE....
o que eu me divirto a ouvir isto!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

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A Fox, a trituradora de séries, estava há pouco a passar o primeiro episódio de House. Cinco anos e os penteados estão fora de moda, as roupas um horror, da maquilhagem nem se fala. Episódio a cores, mas a denotar aquele amarelado das velhas fotos a preto e branco.
O que mais maravilha em House é que, ao contrário de muitas outras séries, soube envelhecer.
Tudo é agora mais depurado, tudo foi levado ao osso.
Algumas das séries de nova geração tendem a aparvalhar, a perder-se por caminhos não evidentes. Sete Palmos de Terra foi disso um bom exemplo. Sem perder interesse, a série foi-se ramificando, divergindo...
Com House, deu-se o processo inverso - um processo implosivo. Exploram-se os pequenos pormenores, os personagens ganham densidade, a trama torna-se claramente doentia, o cinismo é a única regra de vida. E, numa série de hospitais em que o maior doente é o médico, nada como aprofundar esse universo deliberadamente doentio.

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Coisas de espantar

Os putos mais criativos da actualidade revisitam um hit de uma das bandas mais divertidas de sempre.


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Há coisas assim:

- o presidente da Associação dos Cidadãos Automobilizados, Manuel João Ramos, ex-vereador na Câmara de Lisboa, disse há dias que os buracos que invadiram algumas ruas da cidade "têm um lado positivo, pelo efeito dissuasor da velocidade automóvel".

- o Museu Nacional da Imprensa anunciou hoje os vencedores do seu já tradicional Concurso Nacional de Textos de Amor.

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Em Abril de 2008, a Câmara de Lisboa, o Patriarcado e a Comunidade Judaica decidiram erguer, no Largo de São Domingos, três memoriais alusivos aos massacres de judeus na capital portuguesa em 1506. A CML optou por um mural onde se enaltece Lisboa enquanto "cidade cosmopolita, multiétnica e multicultural", enfim, "cidade da tolerância". Eis o mural, hoje, Fevereiro de 2009:

domingo, 15 de fevereiro de 2009

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Apercebi-me um destes dias que pessoal da minha geração e da anterior, ponhamos as coisas assim, anda muito entretida no facebook, no twitter e noutras redes muito na moda. E que, entre jornalistas, até já se trabalha informação por essas vias.
Inscrevi-me no facebook há uns largos tempos, no twitter há um mês. Desisti de ambos. Dou comigo a pensar que isso me transforma num cota da cibercultura. Ter um blogue é hoje coisa de cota. Não me interessa a interacção das redes, não é para isso que aqui ando. Interessa-me o brinquedo, a possibilidade de. Quero dizer coisas e não quero que me chateiem, que me façam perguntas, que me "sigam", como no twitter. Escrevo ou publico coisas no blogue, como quero, quando quero. E até tenho comentários moderados - já repararam que os blogues com comentários moderados só publicam coisas com as quais concordam? O blogue foi ultrapassado por tudo o que se lhe seguiu. É hoje um meio de comunicação unidireccional. Eu escrevo, quem quiser que leia. A nada sou obrigado, a nada obrigo. Ao contrário, nas redes, é-se obrigado a interagir. Ora eu não quero interagir. Para isso, para aturar quem me sai na rifa, já tenho o dia-a-dia. De certa forma, no totalitarismo da sua forma, o blogue é o meu espaço de liberdade. É disso que gosto.

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Todos quieren vestir a Pe.
Todos? Há, de facto, momentos em que não me identifico com a maioria...

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É, certamente, mais uma peça para o estudo socio-politico-delirio-jornalístico do Caso Freeport. Pelos vistos, o caso é tão, mas tão, interessante que com ele nem uma anedota com piada se consegue fazer. Os parabéns podem ser dados aos senhores lá de baixo...


Sócrates: Freeport from Spam Cartoon on Vimeo.

[Directed by André Carrilho; Script by João Paulo Cotrim; Animation by Ana Nunes; Sound Design by José Condeixa.]

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A memória, sempre por caminhos inesperados, levou-me um dia destes a esta música.
Vou escrever sobre ela. Mas se, entretanto, alguém tiver alguma coisa a dizer...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

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Somos dois piratas nos mares do sul, navegamos por dentro um do outro.

Manuel Alegre, A Terceira Rosa, 1998

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

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[em reposição]



Robert Forster, Demon Days
from the 2008 album 'The Evangelist'


In these demon days
We’re pulling our pay
The lights on the hill
Are freezing us still
The fingers of fate
Stretch out and take
Us to a night
But something’s not right
Something’s gone wrong


The half whispered hopes
The dreams that we smoked
Puffed up and ran
As only dreams can
Dreamt by the young
Sparks to be sung
In places so bright
But something’s not right
Something’s gone wrong

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Por falar no céu de Lisboa...



Zona de Santos, ontem.

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Qui vit sans folie n'est pas si sage qu'il croit.



Mensagem (para os fiscais da Emel?) numa rua da cidade. Espelhado, em fundo, o céu de Lisboa, num dia carregado.

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Passei boa parte do meu Verão de 2007 a explicar a jornalistas, muitos deles "especializados" em tecnologias e informática, que NÃO, o programa e.escola não ia dar cabo do mercado... antes pelo contrário. Santa paciência...

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Eu hoje acordei assim *



* copyright

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Ainda mal tinha retirado a cartão e já a máquina me dizia: "É favor retirar o seu dinheiro". Acabei de retirar o dinheiro e a máquina insistiu: "É favor retirar o seu dinheiro". Sinceramente, não percebo tanto stress que por aí anda no ar.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

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Às vezes acontece-me. Uma palavra que me assalta, que me invade. Da qual não consigo libertar-me. Palavra incómoda. Ainda para mais, como é o caso, quando a palavra tem o sentido deturpado pelo uso e quando eu próprio não estou completamente seguro de que seja ela a mais adequada para definir aquilo de que falo.
Falo de bondade. Sim, bondade. Uma palavra talvez gasta pelas religiões e afins, hoje excessivamente kitsch para ser usada por alguém que se quer, ou julga, urbano e moderno.
Mas é o que tenho tentado usar nos últimos largos meses. Comigo e com os outros. Bondade. Acho que a descobri, a bondade, quando senti que o mundo estava a esquecer-se de a usar em relação a mim. Eu, que nunca tinha sentido a sua falta, quase ignorava a sua existência. O costume.
Ontem, tive de pegar no Houaiss para me garantir de que não estava errado. Bondade. Palavra substantiva (é bom), feminina (so what?), "qualidade de quem tem alma nobre e generosa, é sensível aos males do próximo e naturalmente inclinado a fazer o bem". É isso. Isso que tento.
[continua...]

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Os Camera Obscura têm disco novo em Abril. Em Abril, vão nascer-nos de novo as primeiras borbulhas. Vamos novamente dar o primeiro beijo. Jurar que é eterno o nosso primeiro amor. Fingir que não descobrimos que, por detrás das vozes mais angelicais e das orquestrações mais naive, não há o costume. O amor que se desfaz em lágrimas. As saudades que temos sem saber muito bem do quê. A realidade sempre mais crua do que gostaríamos. Em Abril, logo se vê.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

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De novo o jornalismo (uma falsa polémica, post-scriptum)

Os escritos sobre jornalismo que editei neste blogue nas últimas semanas foram ditados por uma revolta enorme pela maneira como está a ser tratado o Caso Freeport.
Vivi outros dois casos - Moderna e Casa Pia - doutro lado da barricada e conheci muitos dos mecanismos com que "as coisas" se fazem. Assisti à criação da lama. Sei que os jornalistas não estão sozinhos nesta coisa. Mas lamento, lamento profundamente, que não haja em Portugal uma imprensa livre e responsável, em que as notícias sejam pensadas antes de irem para o papel. Que, como se sabe, absorve inocentemnte toda a espécie de porcaria que lá queiram colocar.
Posto isto, a não ser que algo excepcional me obrigue ao contrário, este blogue volta ao seu registo, cujo Estatuto Editorial pode ser lido aqui.

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De novo o jornalismo (uma falsa polémica, e 2)

Portugal tem um problema de base para os media, nomeadamente os escritos - a falta de mercado. Não existem hábitos de leitura e as televisões papam a publicidade toda.
Daí que o mercado esteja totalmente distorcido, ou, pior, nem seja possível falar de mercado.
Como é possível que se continuem a publicar jornais que dão prejuízo? Como é possível que, para crescer umas migalhas nas audiências e nas vendas, se invistam rios de dinheiro em marketing? Como é possível ter redacções com mais de 100 jornalistas (e falo em jornalistas apenas) para fazer jornais com médias de vendas nos 40 mil exemplares e sem publicidade que se veja?
Obviamente, as sinergias dentro dos grupos são uma das vias para a sobrevivência, a curto prazo, mas nada resolvem a médio ou a longo - a indiferenciação dos conteúdos conduz inevitavelmente à irrelevância do produto.
Outra das vias para sobreviver é inundar as redacções de jovens a ganhar o ordenado mínimo - são bem-mandados, mas, por mais estudos que tenham, falta-lhe quase tudo para fazerem jornalismo, uma profissão em que a experiência é determinante.
HG assegura-me que nunca houve nas redacções gente tão bem preparada. Do ponto de vista técnico, acrescenta. Até poderia concordar. Mas não é bem assim - a muitos desses ases da técnica falta-lhe um mínimo de cultura geral e cívica para saberem o que estão a fazer.
Façamos de conta - seguindo o exemplo do Mário Crespo... - que um bom jornalista da área da economia decide escreve sobre as grandes obras públicas (tem acontecido...). Conclusão inevitável (tem sido manchete): o país não tem capacidade financeira. Isto até é interessante, porque tal afirmação coincide com a agenda da oposição e, portanto, alimenta a polémica e vende (venderá?) jornal.
Mas isso é apenas uma pequeníssima vertente da questão. As estradas, por exemplo, não são meros incidentes financeiros e os famosos estudos custo/benefício têm de ter em conta uma multiplicidade e complexidade de aspectos que nunca vi abordados na Imprensa. Os estudos do Governo estão disponíveis (podem ser criticáveis...), mas nem um único jornal lhes pegou. Ou, em alternativa, nem um único jornal se preocupou em "levantar o cu da cadeira" e ir falar com autarquias, associações empresariais e outras, na tentativa de completar o grosseiro (e quantas vezes equívoco) retrato financeiro que traçaram.
E isto é um mero exemplo (que tentei descontextualizar tanto quanto pude...). Mas todos os dias vejo nos jornais informação (muito) errada sobre questões (muito) sensíveis. E todos os dias vejo assuntos tratados com excessiva superficialidade, mesmo leviandade, ao sabor dos sound bites de uns e outros, ou simplesmente ao sabor das "ideias" da pessoa com quem o director almoçou nesse dia.
É por isso que acho, e insisto, que o jornalismo português está hoje transformado numa insípida pastilha elástica, que se mastiga e deita fora, sem deixar marca ou causar consequências.
Um jornalismo assim não serve a democracia, que essa é, sim, a sua principal função.

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O El Pais online tem um interessantíssimo artigo sobre espionagem política e fabricação de provas. Se por cá faltarem "notícias", trata-se de uma excelente "fonte de informação" - basta mudar uns nomes e uns factos e dá... uma bela duma manchete.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

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O já famoso artigo de Mário Crespo, sendo de opinião, vale sobretudo por ser um espelho fiel do jornalismo português actual: um somatório de presunções, de diz-que-disse, de publicar antes de confirmar, de transformar a voz da rua em ciência exacta, de misturar simples piadas com coisas sérias, de insinuar tudo e nada provar, de tentar provar o improvável pela quantidade não pela qualidade, do império do engraçadismo, da dispensabilidade do bom senso, da deontologia apenas nos dias pares, do ajuste de contas permanente não importa com quem, da irresponsabilidade.