segunda-feira, 10 de novembro de 2008

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Ela olhava e gritava, mas o encantador ainda lhe não ouvia os gritos: encontrava-se ensurdecido pelo seu próprio horror, ajoelhando, procurando embrulhar-se, arrebanhando os cordões, tentando deter aquilo, ocultar aquilo, cedendo ao seu espasmo oblíquo, tão absurdo como martelar em vez de música, absurdamente derramando cera líquida, demasiado tarde para deter aquilo ou ocultar aquilo.

Vladimir Nabokov, O Encantador

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Penoso, nesta série do Gato Fedorento, não é tanto a falta de graça de quase tudo aquilo [como na última série na RTP, alguns momentos são mesmo muito bons...], mas a consciência que os protagonistas têm e demonstram disso mesmo. Eventualmente, o grau de exigência que temos em relação a eles - que quebrem com a medíocre mediania geral - é que será excessivo. Ou, simplesmente, talvez seja difícil, senão impossível, fazer humor profissional mais que duas ou três épocas seguidas.

Já o humor involuntário continua de excelente saúde. Nos idos de 2003, já eu me divertia imenso com os Mirandas e Gonçalves desta vida. E não é que, cinco anos volvidos, eles continuam a não desiludir?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

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Lx, Nov 08

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Já é quase meio dia e, hoje, ainda não vi nem ouvi a doutora Maria José Morgado a dizer uma daquelas verdades profundas e incontestáveis sobre o funcionamento da justiça e o combate à corrupção. Estranho, não é?

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

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Boomp3.com

Johnny Cash, Solitary Man

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A vida de W (!?)

Os blogues têm destas vantagens. Tudo é bem mais etéreo do que pensamos, dependendo, é verdade, da vaidade.
Isto para dizer que, por exemplo, podemos criar uma série e deixá-la morrer sem que alguém o lamente.
Contra todas as leis do marketing (mas onde ando com a cabeça, meu deus?), resisti sempre a criar séries, essas coisas que os blogues fazem quando o autor nada tem para dizer, mas que criam hábitos de leitura.
Há uns dias, comecei uma série. Qualquer coisa à volta de um demasiado óbvio W. Acontece que perdi o W. Não é que tenha perdido interesse pela sua vida. Simplesmente perdio-o enquanto personagem. Acho que é a primeira vez que perco uma personagem. Coisa tramada...

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1. A vitória de Obama vale por si. Ou seja, independentemente do que se seguir ou do real e profundo significado do que aí vier (ou não...), aquela vitória tem um peso específico. É, ela própria, um marco. Não apenas por Obama ser preto, ou pelo facto de a sua vitória pôr termo a um dos maiores pesadelos políticos do nosso tempo. A eleição de Obama extravasou largamente o seu significado político restrito e, nessa medida, adquiriu uma dimensão simbólica equivalente aos raros momentos de ruptura história. "Esperança" (hope) é a palavra-chave dessa mitologia, que de mitologia se trata, num mundo em que tudo parece ruir, ou, pior, tudo parece à beira do abismo.

2. A eleição de Obama vai obrigar muitos de nós a revermos a posição no xadrez do debate político. No auge da loucura bushista (o Iraque e o resto...), tinha eu outras actividades e envolvi-me com "meio mundo" à volta desse tema. Por mais que me apelidassem de anti-americano (afinal de contas, há mesmo livros sobre isso), insisti sempre que, para mim, o problema não era esse. Vejo a América como a terra da esperança (lá está...) e o que me revoltava era todo aquele disparate dos neo-cons. Mas, reconheçamos, muito "boa gente", à boleia dos disparates de Bush, limitou-se a renovar, remaquilhar, velhas cartilhas anti-capitalistas, anti-imperialistas, anti-americanas. Vai ser curioso assistir, nos próximos tempos, ao reposicionamento de muita gente.

3. É claro que a enorme esperança que hoje Obama encarna irá desembocar, aos poucos, mais cedo ou mais tarde, em desilusões várias. A política é isso mesmo. Meter as mãos na massa. Perturbar. Incomodar. Fazer rupturas. Desafiar. Mesmo aqueles que foram a base de apoio, ou outros que, longe, foi como se lá tivessem estado. Os consensos vão quebrar-se e ainda bem. O mito global em que Obama se tornou por estes dias durará algum tempo, pouco, e será, em boa medida, muito pouco fértil. A fibra do político ver-se-á quando começarem a levantar-se os primeiros clamores de contestação ou desilusão. Aí sim, teremos Obama. Ou não.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

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Boomp3.com

let us be lovers we'll marry our fortunes together
I've got some real estate here in my bag
So we bought a pack of cigarettes and mrs. wagner pies
And we walked off to look for america
kathy, I said as we boarded a greyhound in pittsburgh
michigan seems like a dream to me now
It took me four days to hitchhike from saginaw
I've gone to look for america

Laughing on the bus
Playing games with the faces
She said the man in the gabardine suit was a spy
I said be careful his bowtie is really a camera

toss me a cigarette, I think theres one in my raincoat
we smoked the last one an hour ago
So I looked at the scenery, she read her magazine
And the moon rose over an open field

kathy, I'm lost, I said, though I knew she was sleeping
I'm empty and aching and I don't know why

Counting the cars on the new jersey turnpike
They've all gone to look for america
All gone to look for america
All gone to look for america.

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Este homem, além de ter as pernas mais lindas da blogosfera, é um contentor de sabedoria.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

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A Monocle, provavelmente a melhor revista da actualidade, dedica a capa da última edição à arquitectura das embaixadas: Building a Better Embassy. Coisa de estrangeiros: a mania de que os edifícios devem ser desenhados para a função a que se destinam...
Pois a Monocle opina, vejam lá, que nas embaixadas do nosso tempo o espaço nobre deve ser destinado à promoção dos produtos inovadores, de design por exemplo, dos respectivos países. Vejam lá ao que eles querem reduzir a diplomacia... Enfim, só não entende quem não quer.

domingo, 2 de novembro de 2008

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You can spend the night beside her
And you know that she's half crazy
But that's why you want to be there
And she feeds you tea and oranges
That come all the way from China

Boomp3.com


Aretha Franklin, Suzanne

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

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Uma pessoa que viva em Portugal e que se deixe bombardear pelas notícias que fazem os telejornais, os fóruns e as primeiras dos jornais perde a noção da realidade.
Lá fora: "Revista Time despede entre 300 e 700 trabalhadores devido à quebra do investimento publicitário". It's the economy, PMES...

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Boomp3.com

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

terça-feira, 28 de outubro de 2008

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the answer is (probably) blowin' in the wind.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

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Basta observar com atenção os jornais e os blogues. Escancarados ou ainda envergonhados, os malucos estão de regresso, tentando amalucar tudo o que os rodeia. Eu já vi este filme. Já fui personagem forçado desta farsa. Tenho porém a ideia - e, já agora, a esperança - de que, desta vez, o filme vai ter um fim diferente. Not The End.

domingo, 26 de outubro de 2008

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A vida de W (4)

W continua.

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Disclaimer para os mais distraídos

Este blogue não é um diário. Às vezes, sim.

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acordo às sete e um quarto de domingo, como em todos os dias da semana. às sete e um quarto da hora de inverno, como se algum relógio secreto me comandasse a partir de dentro.

sábado, 25 de outubro de 2008

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Natalie Merchant, Ophelia, 1998


Ophelia was a bride of God
A novice Carmelite
In sister cells
The cloister bells tolled on her wedding night

Ophelia was the rebel girl
A blue stocking suffragette
Who remedied society between her cigarettes

And Ophelia was the sweetheart
To a nation overnight
Curvaceous thighs
Vivacious eyes
Love was at first sight
Love was at first sight...
Love...

Ophelia was a demigoddess
In pre-war Babylon
So statuesque
A silhouette
In black satin evening gowns

Ophelia was the mistress to
A Vegas gambling man
Signora Ophelia Maraschina
Mafia courtesan

Ophelia was the circus queen
The female cannonball
Projected through five flaming hoops
To wild and shocked applause
To wild and shocked applause

Ophelia was a tempest cyclone
A goddamn hurricane
Your common sense, your best defense
They wasted, and in vain

For Ophelia 'd know your every woe
And every pain you'd ever had
She'd sympathize and dry your eyes
Help you to forget...
And help you to forget

And help you to forget

Ophelia's mind went wandering
You'd wonder where she goes
Through secret doors down corridors
She'd wander there alone
All alone.

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a uma certa altura da minha vida, cheguei a acreditar que, sim, era verdade. as pessoas de palavra, aquelas com quem não era preciso assinar papéis, eram as mais confiáveis. "uma frase dele vale por mil assinaturas", ouvi dizer algumas vezes. a vida encarregou-se de me ensinar que não é assim. que, se os papéis assinados já de pouco valem, a palavra perdeu, também ela, o seu valor. hoje, guio-me pelos labirintos dos silêncios.

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Pronto, não baixa...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008