domingo, 21 de setembro de 2008
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Marisa Monte, Amor I Love You
Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!
[Eça de Queirós, O Primo Basílio, 1878. Voz de Arnaldo Antunes]
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Gosto da Starbucks. E sou daqueles que vê nestas invasões (Fnac, McDonalds, etc etc) não uma ameaça, mas uma oportunidade para que o comércio local se dignifique. Digam lá, depois da morte dos grandes cafés de cidade, com o que ficámos? Basicamente, com pastelarias e snack-bars todos envidraçados, espelhados, azulejados, em que o desconforto é o denominador comum.
Esta febre noticiosa sobre a Starbucks justifica, porém, dois apontamentos:
1. sobre a permeabilidade da nossa Imprensa, sempre tão rigorosa nalgumas coisas e sempre tão disponível para certo tipo de publireportagens;
2. mas, dir-se-á, se a imprensa dá é porque o público quer. E é verdade. Provavelmente, a Starbucks vai vender a nossa simples bica a 1,5 euros (ou 1,4 - para se diferenciar de Espanha). E isto é bom, porque o desejo de ascensão social dos portugueses também se vê por aqui. Estão dispostos a pagar mais, se for de marca, de certa marca. A crise? Ah, isso é outra história...
sábado, 20 de setembro de 2008
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as distâncias são uma ilusão. dos tempos modernos, em que as distâncias já não se medem em metros mas em minutos. mas de todos os tempos. há tanto desencontro entre distâncias e afectos.
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A grande novidade editorial de sábado e, seguramente, a melhor leitura para o fim-de-semana é, sem sombra de dúvida, o novo suplemento do Expresso, a que deram, com a toda a justiça, o nome de Elevadores e o subtítulo, também ele bem apropriado, de Escadas e Tapetes Rolantes. Digamos que se trata de um suplemento em que, finalmente, se alia a utilidade a uma certa poética industrial de que tanto andamos necessitados. Cientes da valia deste novo produto, os editores salientam na capa que "não pode ser vendido separadamente". Em boa hora o fizeram, que coisas destas não podem, não devem, ser transcionadas de ânimo leve. Eis, só para aguçar o apetite, os títulos dos muitos textos de que é composta esta pequena pérola editorial:
Um mundo por detrás da mobilidade mecânica
Inspeccionar para assegurar
Sobe e desce sem parar
Tradição aliada à modernização
A notoriedade da marca é crucial na venda de elevadores
Um parceiro para melhorar o fluxo na cidade
A importância da manutenção
Experiência que faz a diferença
Valorizando o que é nosso
Conservar, assegurar e fiscalizar
Garantias únicas de valor
Um mundo de mobilidade
Confesso que entre os meus eleitos está "A importância da manutenção", mas o melhor título, aquele que melhor condensa, não apenas a realidade do mundo dos elevadores, mas igualmente o ar do tempo que vivemos é, claramente, "Sobe e desce sem parar". As grandes verdades chegam-mos sempre em pequenas frases. Obrigado, Expresso.
Um mundo por detrás da mobilidade mecânica
Inspeccionar para assegurar
Sobe e desce sem parar
Tradição aliada à modernização
A notoriedade da marca é crucial na venda de elevadores
Um parceiro para melhorar o fluxo na cidade
A importância da manutenção
Experiência que faz a diferença
Valorizando o que é nosso
Conservar, assegurar e fiscalizar
Garantias únicas de valor
Um mundo de mobilidade
Confesso que entre os meus eleitos está "A importância da manutenção", mas o melhor título, aquele que melhor condensa, não apenas a realidade do mundo dos elevadores, mas igualmente o ar do tempo que vivemos é, claramente, "Sobe e desce sem parar". As grandes verdades chegam-mos sempre em pequenas frases. Obrigado, Expresso.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
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- Los bomberos dicen que hay supervivientes, que hay gente caminando entre el fuego, hay supervivientes, hay gente caminando entre el fuego.
Torre de Controlo do Aeroporto de Barajas, 14:48, 20 Ago 2008
Torre de Controlo do Aeroporto de Barajas, 14:48, 20 Ago 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
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é claro que, às vezes, não leio só os títulos, mas também as notícias.
e não é por isso que deixo de me divertir. por exemplo, ontem à tarde, li isto em vários sites:
A campanha de saldos de Verão, que terminou a 15 de Setembro, foi "a pior em vendas dos últimos 10 anos", revelou à Agência Lusa a presidente da Associação Comercial Moda do Distrito de Lisboa.
As vendas nos dois meses de "saldos de Verão foram muito fracas", o que reflecte uma "incapacidade financeira dos empresários, muitos impossibilitados de adquirirem novas colecções por falta de dinheiro", explicou Maria do Céu Prim.
A representante dos comerciantes ainda não conseguiu quantificar "o valor real em perdas" até porque a "campanha só terminou na segunda-feira", mas após conversar com muitos dos cerca de 1.500 associados "os resultados são muito negativos".
e não é por isso que deixo de me divertir. por exemplo, ontem à tarde, li isto em vários sites:
A campanha de saldos de Verão, que terminou a 15 de Setembro, foi "a pior em vendas dos últimos 10 anos", revelou à Agência Lusa a presidente da Associação Comercial Moda do Distrito de Lisboa.
As vendas nos dois meses de "saldos de Verão foram muito fracas", o que reflecte uma "incapacidade financeira dos empresários, muitos impossibilitados de adquirirem novas colecções por falta de dinheiro", explicou Maria do Céu Prim.
A representante dos comerciantes ainda não conseguiu quantificar "o valor real em perdas" até porque a "campanha só terminou na segunda-feira", mas após conversar com muitos dos cerca de 1.500 associados "os resultados são muito negativos".
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
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ainda os títulos. Museu de Farmácia adquire preservativo do Marquês de Sade. Está agora no Expresso online.
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uma das minhas tarefas matinais (e não só...) é ler notícias (na verdade, ler é um manifesto exagero).
divertem-me especialmente os títulos. as suas potencialidades. por exemplo, hoje de manhã, só no espaço de duas horas, a agência lusa emitiu estes dois títulos:
Primeira enoteca interactiva da Península Ibérica instalada em Favaios.
Marco António Costa à procura de 3000 mulheres para cumprir quotas nas eleições de 2009.
divertem-me especialmente os títulos. as suas potencialidades. por exemplo, hoje de manhã, só no espaço de duas horas, a agência lusa emitiu estes dois títulos:
Primeira enoteca interactiva da Península Ibérica instalada em Favaios.
Marco António Costa à procura de 3000 mulheres para cumprir quotas nas eleições de 2009.
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problema complicado para o debate em portugal é o da exiguidade de tudo isto, opinadores incluídos.
o fim de agosto e princípio de setembro foram dominados pelas questões relacionadas como a criminalidade e com a abertura do ano escolar. um exercício interessante seria pegar em cinco nomes sonantes de cada uma dessas áreas e reconstituir-lhes a agenda mediática.
por mim, não preciso de esperar pelos resultados desse estudo - estou literalmente farto de uma data de gente, que me aparece todos os dias em todo o lado. alguns até poderão ser interessantes e estimulantes - a maioria não o é - mas, mergulhados no caldeirão permanente da opinião, já pouca importância lhes damos. fica tudo reduzido a tábua rasa.
o fim de agosto e princípio de setembro foram dominados pelas questões relacionadas como a criminalidade e com a abertura do ano escolar. um exercício interessante seria pegar em cinco nomes sonantes de cada uma dessas áreas e reconstituir-lhes a agenda mediática.
por mim, não preciso de esperar pelos resultados desse estudo - estou literalmente farto de uma data de gente, que me aparece todos os dias em todo o lado. alguns até poderão ser interessantes e estimulantes - a maioria não o é - mas, mergulhados no caldeirão permanente da opinião, já pouca importância lhes damos. fica tudo reduzido a tábua rasa.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
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também já não leio "análises políticas" como lia outrora. adaptei-me aos tempos (à minha falta de..., e aos tempos eles mesmo) e agora só faço surf (antes, lia em diagonal, mas, lá está!, adapto-me aos tempos...). até porque, sinceramente, muito pouco mudou nesta área. embora haja actores/opinadores novos - salvo raríssimas excepções, sabemos de antemão o que vamos ler. por vezes, a expectativa reside em assistir à cambalhota que conduz à conclusão, noutros casos, tudo reside em apreciar o exercício de estilo. falta-me o tempo, insisto, e a paciência.
mas, do pouco que vou observando, retiro três aspectos essenciais:
1. tudo continua a basear-se em paradigmas próximos. ou seja, a maioria da análise política parte do princípio de que tudo se repete. basta ter acompanhado as últimas duas décadas da política portuguesa para perceber que isso não é assim. bem pelo contrário.
2. a grande maioria dos chamados analistas, por preguiça, limitação intelectual, ou porque baseiam toda a sua fé no primeiro princípio, nem sequer se dá ao trabalho de tentar perceber as nuances e mesmo as grandes diferenças. ou seja, a maioria parece desconhecer o modus operandi, os objectivos e os próprios traços de personalidade dos actores políticos que "analisam".
3. os media, nisto como no resto, colocam o dissonante no centro do palco, numa total inversão da realidade. resultado: quanto mais amalucada for a "análise" mais hipótese tem de ser ampliada.
mas, do pouco que vou observando, retiro três aspectos essenciais:
1. tudo continua a basear-se em paradigmas próximos. ou seja, a maioria da análise política parte do princípio de que tudo se repete. basta ter acompanhado as últimas duas décadas da política portuguesa para perceber que isso não é assim. bem pelo contrário.
2. a grande maioria dos chamados analistas, por preguiça, limitação intelectual, ou porque baseiam toda a sua fé no primeiro princípio, nem sequer se dá ao trabalho de tentar perceber as nuances e mesmo as grandes diferenças. ou seja, a maioria parece desconhecer o modus operandi, os objectivos e os próprios traços de personalidade dos actores políticos que "analisam".
3. os media, nisto como no resto, colocam o dissonante no centro do palco, numa total inversão da realidade. resultado: quanto mais amalucada for a "análise" mais hipótese tem de ser ampliada.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
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Não concordo prái com 90 por cento do que este fulano escreve neste post. No entanto, acho que sou de esquerda (sinceramente, nunca fiz as análises receitadas pela dra. Arlete...) e normalmente gosto deste gajo (talvez porque não o conheça pessoalmente...). Eis pois uma das minhas quadraturas do círculo.
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houve um tempo em que recebi dinheiro para, entre coisas, opinar publicamente sobre política (ele há maneiras de ganhar a vida...).
felizmente, estou desobrigado de tal tarefa nos dias que correm - mais uma vez, sopram ventos de loucura. liga-se a televisão, ouve-se a rádio, abre-se um jornal... e é a esquizofrenia instalada. tempos em que todo o bom senso é castigado.
felizmente, estou desobrigado de tal tarefa nos dias que correm - mais uma vez, sopram ventos de loucura. liga-se a televisão, ouve-se a rádio, abre-se um jornal... e é a esquizofrenia instalada. tempos em que todo o bom senso é castigado.
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informação quase utópica. a partir de 22 do 9, o lidl tem uma promoção de material para montanhismo e afins.
domingo, 14 de setembro de 2008
sábado, 13 de setembro de 2008
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Machado de Assis parece estar a suscitar grande interesse na América. Está na altura de lhe enviar mais um bilhetinho de agradecimento!
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
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